Exigimos justiça para Marielle Franco

No dia 14 de março, uma das lideranças sociais mais corajosas do Brasil foi brutalmente assassinada nas ruas do Rio de Janeiro. Marielle Franco, vereadora e defensora dos direitos humanos, foi baleada quatro vezes na cabeça por atiradores não identificados, pouco depois de deixar uma reunião de jovens ativistas negros. Seu motorista, Anderson Pedro Gomes, foi morto.

Muito antes de ser eleita para a Câmara dos Vereadora do município do Rio de Janeiro em 2016, Marielle era amplamente conhecida como uma defensora incansável e destemida dos direitos das negras e negros, dos LGBTs, das mulheres e das comunidades de baixa renda. Negra, lésbica, nascida e criada em um dos bairros mais pobres do Rio, ela fez uma campanha implacável contra a espiral de violência policial nas favelas da cidade.

O ativismo de Marielle fez com que ela ganhasse muitos inimigos poderosos. Ela desafiou veementemente a impunidade que cerca as execuções extrajudiciais de jovens negros pelas forças de segurança e, dois dias antes de sua execução, denunciou o papel da polícia no assassinato de jovens negros. Ela era uma das principais vozes contrárias à intervenção militar no Rio de Janeiro e era relatora da Comissão que acompanharia a intervenção na cidade.

Nós estamos profundamente preocupados e chocados com esse assassinato, uma verdadeira execução, de uma mulher que era uma voz para os silenciados e um símbolo de resistência à violência perpetrada pelo Estado, à militarização e às forças antidemocráticas. Dado que o assassinato de Marielle tem todas as características de um assassinato premeditado, pedimos a criação de uma comissão independente composta por proeminentes e respeitados especialistas legais e de direitos humanos, nacionais e internacionais, encarregado de realizar uma investigação independente sobre o assassinato de Marielle Franco, com a plena cooperação das autoridades judiciais e policiais do Estado.

Pouco antes de seu assassinato, Marielle perguntou: "Quantos outros terão que morrer antes que esta guerra termine?". Pedimos justiça para Marielle Franco, para a filha e a esposa que ela deixa para trás, e o fim das mortes e da criminalização de ativistas, opositores do governo e pessoas de baixa renda no Brasil.

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